Em 1823, uma expedição saiu de Taubaté, a fim de explorar o interior paulista e o sertão. Essa expedição seguiu a trilha de célebres [bandeirante]s, até a vila de Casa Branca (São Paulo), afastando-se do rumo das minas de Catas Altas, na Serra de Sabarabuçu, na região das Gerais, em direção Leste.

Nessa expedição estava Simão da Silva Teixeira, sua esposa Catarina Maria da Silva, e seus escravos. Em Casa Branca, Simão entregou à guarda de seu irmão sua mulher e seus escravos, e seguiu sozinho por outra direção: enquanto a expedição seguiria o rumo do nascente, ele seguiria Oeste.

Levou apenas o que podia e seguiu mata a dentro. Estava a procura de terras para agricultura. Cada vez mais estava dentro da mata fechada, deixando-se guiar pelo poente. Todavia, perdera o rumo. Com o passar dos dias, seus alimentos acabaram, e perdera suas armas. Vendo que estava condenado, teria pedido ajuda a Deus e a seu padroeiro, São Simão Apóstolo.

Caso fosse socorrido, teria prometido permanecer no lugar do socorro até o fim de sua vida, junto com sua mulher e seus escravos. Construiria no lugar uma capela, para abrigar a imagem de seu padroeiro, feita por suas próprias mãos.

Teria sido, então, socorrido por um casal de escravos foragidos. Quando estava recuperado, voltou à Casa Branca, mas a expedição não estava mais ali, mas em Caconde.

Para lá seguiu, escolheu o mais belo cedro, e com suas mãos fez uma imagem de seu padroeiro. Reuniu a esposa, os cativos, os víveres, a pólvora, as armas, as sementes e a cria. De rumo certo, chegou ao lugar onde foi socorrido. Ali, fez construir sua casa e a capela.

Anos depois, comprovando que a terra era fértil, requereu a posse da sesmaria que vinha de Casa Branca até o Rio Pardo nas proximidades de Ribeirão Preto, com a missão de povoá-la.

Controvérsia sobre a fundação

Na verdade, o município não foi fundado por Simão da Silva Teixeira, pois há registros de uma vila povoada chamada Tamanduá existente antes de sua chegada ao lugar.

Em 14 de abril de 1835, o povoado foi elevado a categoria de Capela curada. Em 8 de março de 1842, a capela foi elevada a Paróquia, e depois distrito, pela lei imperial XXVI. Por essa razão, os moradores ficaram responsáveis pela construção da igreja matriz.

Crescimento do município

Fórum de São Simão, construído na época da criação da Comarca de São Simão.

Em 20 de dezembro de 1878, foi instalada a 1ª Entrância judiciária, compreendendo as vilas de Serra AzulSanta Rosa de Viterbo e Jataí, conhecida hoje como Luís Antônio. Mas foi em 12 de maio de 1877, que ocorreu a criação da Comarca de São Simão.

Visitas ilustres

O município de São Simão, recebeu no século XIX, a visita de Dom Pedro II, e de sua esposa Dona Teresa Cristina Maria de Bourbon. Ambos desembarcaram na estação ferroviária da época, caminharam pela Rua dos Expedicionários, e depois da caminhada, degustaram doces numa doceria da cidade.

São Simão e a Revolução de 1932

Praça em homenagem aos ex-combatentes simonenses na Revolução de 1932.

Quando em 9 de julho de 1932 estourava a Revolução Constitucionalista de 1932, os simonenses, assim como todos os paulistas, pegaram às armas para combater a ditadura instaurada por Getúlio Vargas, desde 1930. As mulheres formaram um batalhão, o Batalhão Feminino, e por causa dos discursos feitos nas praças da cidade, formou-se o Batalhão de Voluntários de São Simão. As mulheres desse batalhão ficaram responsáveis pela confecção das fardas, os sapateiros ficaram responsáveis pela confecção das botinas dos soldados, isso porque os voluntários simonenses tinham pressa de irem aos campos de batalha, para darem a vitória a São Paulo.

No dia 20 de agosto de 1932, os jovens simonenses foram para as batalhas por M.M.D.C.. A plataforma da estação estava tomada de gente, pois todos queriam despedir-se dos jovens combatentes. Essa tropa incorporou-se ao Batalhão Capitão Saldanha da Gama, comandado pelo Capitão Reynaldo Ramos Saldanha da Gama, que entusiasmado e contente com a força de vontade dos combatentes, enviou-lhes para Vila Queimada, Pedreira Lavrinha, e Queluz: as frentes de batalha mais perigosas. Enquanto a guerra matava e destruía, o Batalhão Feminino recolhia fundos para ajudar quem estava nos combates.

Em outros episódios da guerra, é verídico o fato de que vários soldados da cidade se esconderam nas diversas fazendas ao norte do Morro do Cruzeiro. Muitos deles saíram e voltaram para as suas casas apenas quando descobriram que a guerra havia acabado. Foram às vias principais da cidade e foram saudados ainda como heróis.

Quando souberam que as forças getulistas poderiam se aproximar de São Simão, os simonenses que haviam ficado na cidade esconderam seus bens de valor para não os entregar às tropas inimigas. Uma história interessante, é que o senhor Orlando Flores chegou a enterrar o próprio automóvel para que as tropas mineiras não o confiscasse, e não usasse-o contra as forças paulistas. Em 28 de setembro de 1932, São Paulo viu-se derrotado, sem saída, pois havia sido traído por alguns estados que antes da Revolução de 32 prometiam ajuda e apoio às tropas paulistas, mas que na hora que a revolução estourou ficaram do lado do Governo. São Simão perdeu dois combatentes: Aristóteles de Abreu Patrony e João Francisco. Mas em 16 de julho de 1934, foi assinada uma nova Constituição. São Paulo saía vitorioso, afinal!